quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Um colo

Ela tinha inveja das amigas que se davam bem com suas mães. Simplesmente porque não encontrava naquele colo provável a calma que precisava. Ela não se lembra de ter deitado no colo da mãe. De ter chorado e sentido ali conforto. Ao contrário, a convivência era tensa. Não entendia por que sempre foi assim. E isso não mudaria. Ela tinha muita inveja das amigas que contavam da amizade com suas mães, como se isso fosse natural. Para ela, era uma batalha perdida. Agora que ela é mãe, entende um pouco das angústias da outra e é capaz de perdoá-la. Mas sabe o que não deve fazer. Então, quando a mãe diz pra deixar o filho chorando, que ele aprende, ela não aceita. Está lá com seu colo pronto, precisando o filho ou talvez nem tanto. Ela é como um general em vigília. A primeira regra que aprendeu é que não existe regra. Ela não vai deixar seu filho chorar para que ele aprenda sozinho. Nunca. Ela está ali para ensinar. Ou apenas para oferecer seu abrigo quente.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O amor (de novo)


Eu hoje acordei com vontade de casar. Vestir-me de branco, pintar o rosto suavemente, deixar o vento atrapalhar o penteado sob um pôr-do-sol romântico, enquanto nossos amigos ouvem as juras de amor eterno. Tudo de novo, como se fosse a primeira vez. Os olhos brilhariam da mesma forma ou talvez um pouco mais, porque agora nosso filho levaria as alianças. Sim, vale a pena fazermos economias para comprar os vinhos, adornar nossa festa com flores e celebrar o amor. Porque isso nunca será antiquado. Nunca será demais. Quantas vezes for preciso, vamos valorizar os momentos felizes. Porque a vida é feita deles. E só eles valem a pena, mesmo que durem pequenos instantes.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Por que gostamos de falar mal da ...

Há mais ou menos quinze anos falamos mal da ... É nossa diversão preferida nos encontros em botecos e agora mais frequentes nas nossas casas mesmo, com mamadeiras na mesa em vez de cerveja. Mas as risadas são as de sempre. É engraçado isso. Fico me perguntando se a ... é chata mesmo – e, definitivamente, ela é – ou o que nos motiva é uma necessidade de projetar em alguém nossa acidez cotidiana. Afinal, é coisa demais pra nossa cabeça. Alguém tem que ser o alvo da nossa ira. E, não, a culpa não é do Ruivo Hering. É da ... Há pouco tempo uma amiga fez uma constatação curiosa: todas as mulheres chatas estão casadas, enquanto um milhão de solteiras legais se engalfinha nas noites à disputa de um bom partido. Por que será que os homens gostam de mulheres como a ...? Bem, talvez porque elas devam ser muito piores como ex-mulher, então, é preferível manter o casamento. Sabe-se lá. É provável que a gente nunca encontre resposta pra essa nossa implicância e, daqui a quarenta anos, quando a gente se reunir nos bailes da terceira idade, ainda estaremos rindo da ...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O amor

É para você, meu amor, que digo
O amor é essencial
O resto pode faltar, tudo bem
Mas você não
Que feliz é o amor quando se está perto
E só.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Algumas verdades sobre ser mãe

- Você deixa de assistir ao Manhattan Connection. Seu programa favorito passa a ser Sinhá Moça;
- Você diz que não, mas no fundo se acha insubstituível para seu filho;
- Você para de usar perfume e unhas grandes;
- Sim, é verdade, você não dorme. Bem, de vez em quando, tem a sorte de dormir seis horas. Detalhe: interruptas;
- Você tem a sensação de que não terá vida própria mais. E não terá mesmo;
- Você entra na Zara e vai direto à seção infantil. Depois, dá uma olhadinha no resto;
- Você percebe que trabalhava pouco no seu emprego. Trabalho duro é o de casa, 24h por dia, sem feriado, férias e salário;
- Você descobre se o homem da sua vida é mesmo o homem da sua vida se ele é um bom pai;
- Você passa a selecionar as suas roupas pela facilidade de abrirem na frente;
- Você percebe que sua mãe deu um duro danado. E que demorou anos (anos e anos) para você valorizar isso;
- Você tem culpa de tudo: das tragédias mundiais, da corrupção no Brasil, do trânsito na cidade;
- Você passa a ser pontualíssima: de três em três horas, aconteça o que acontecer, seu filho tem que comer. E você é responsável por isso;
- Você vira um bagaço;
- Algum dia, uma sirigaita qualquer vai roubar seu filho e você vai sobrar;
- Sim, tudo terá valido a pena. E, quando seu filho finalmente agradecer, você vai sorrir e dizer, como se nada tivesse acontecido: foi um prazer. As mães realmente esquecem a peleja.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O palhaço


O palhaço chegou fazendo graça, ainda que não houvesse motivos para ele sorrir. Talvez seja um código da ética dos palhaços: fazer os outros sorrir, mesmo quando não se acha graça. Então, ele perguntou: que gosto tem a lágrima do palhaço? Doce? Tem gosto de água? Ela ficou pensando. Pobre palhaço. Era ele quem mais precisava sorrir. E percebeu que o palhaço chorava escondido na sua graça. Sua lágrima, sim, era doce. Porque tinha o gosto do sorriso. De graça.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para lembrar sempre

Mesmo "quando as coisas ficam particularmente complicadas... A infância de seu filho é uma época extraordinária - assustadora, preciosa e absolutamente efêmera. Se você duvidar por um momento que um dia sentirá saudade dessa época doce e simples, converse com os pais de crianças maiores, que, sem dúvida, irão concordar: cuidar de um bebê é como um minúsculo pontinho no radar da sua vida - brilhante, nítido e (infelizmente) irrecuperável."

Da "amiga" Tracy Hogg, em Os segredos de uma encantadora de bebês.