terça-feira, 13 de julho de 2010

Por que gostamos de falar mal da ...

Há mais ou menos quinze anos falamos mal da ... É nossa diversão preferida nos encontros em botecos e agora mais frequentes nas nossas casas mesmo, com mamadeiras na mesa em vez de cerveja. Mas as risadas são as de sempre. É engraçado isso. Fico me perguntando se a ... é chata mesmo – e, definitivamente, ela é – ou o que nos motiva é uma necessidade de projetar em alguém nossa acidez cotidiana. Afinal, é coisa demais pra nossa cabeça. Alguém tem que ser o alvo da nossa ira. E, não, a culpa não é do Ruivo Hering. É da ... Há pouco tempo uma amiga fez uma constatação curiosa: todas as mulheres chatas estão casadas, enquanto um milhão de solteiras legais se engalfinha nas noites à disputa de um bom partido. Por que será que os homens gostam de mulheres como a ...? Bem, talvez porque elas devam ser muito piores como ex-mulher, então, é preferível manter o casamento. Sabe-se lá. É provável que a gente nunca encontre resposta pra essa nossa implicância e, daqui a quarenta anos, quando a gente se reunir nos bailes da terceira idade, ainda estaremos rindo da ...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O amor

É para você, meu amor, que digo
O amor é essencial
O resto pode faltar, tudo bem
Mas você não
Que feliz é o amor quando se está perto
E só.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Algumas verdades sobre ser mãe

- Você deixa de assistir ao Manhattan Connection. Seu programa favorito passa a ser Sinhá Moça;
- Você diz que não, mas no fundo se acha insubstituível para seu filho;
- Você para de usar perfume e unhas grandes;
- Sim, é verdade, você não dorme. Bem, de vez em quando, tem a sorte de dormir seis horas. Detalhe: interruptas;
- Você tem a sensação de que não terá vida própria mais. E não terá mesmo;
- Você entra na Zara e vai direto à seção infantil. Depois, dá uma olhadinha no resto;
- Você percebe que trabalhava pouco no seu emprego. Trabalho duro é o de casa, 24h por dia, sem feriado, férias e salário;
- Você descobre se o homem da sua vida é mesmo o homem da sua vida se ele é um bom pai;
- Você passa a selecionar as suas roupas pela facilidade de abrirem na frente;
- Você percebe que sua mãe deu um duro danado. E que demorou anos (anos e anos) para você valorizar isso;
- Você tem culpa de tudo: das tragédias mundiais, da corrupção no Brasil, do trânsito na cidade;
- Você passa a ser pontualíssima: de três em três horas, aconteça o que acontecer, seu filho tem que comer. E você é responsável por isso;
- Você vira um bagaço;
- Algum dia, uma sirigaita qualquer vai roubar seu filho e você vai sobrar;
- Sim, tudo terá valido a pena. E, quando seu filho finalmente agradecer, você vai sorrir e dizer, como se nada tivesse acontecido: foi um prazer. As mães realmente esquecem a peleja.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O palhaço


O palhaço chegou fazendo graça, ainda que não houvesse motivos para ele sorrir. Talvez seja um código da ética dos palhaços: fazer os outros sorrir, mesmo quando não se acha graça. Então, ele perguntou: que gosto tem a lágrima do palhaço? Doce? Tem gosto de água? Ela ficou pensando. Pobre palhaço. Era ele quem mais precisava sorrir. E percebeu que o palhaço chorava escondido na sua graça. Sua lágrima, sim, era doce. Porque tinha o gosto do sorriso. De graça.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para lembrar sempre

Mesmo "quando as coisas ficam particularmente complicadas... A infância de seu filho é uma época extraordinária - assustadora, preciosa e absolutamente efêmera. Se você duvidar por um momento que um dia sentirá saudade dessa época doce e simples, converse com os pais de crianças maiores, que, sem dúvida, irão concordar: cuidar de um bebê é como um minúsculo pontinho no radar da sua vida - brilhante, nítido e (infelizmente) irrecuperável."

Da "amiga" Tracy Hogg, em Os segredos de uma encantadora de bebês.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Manifesto de uma mãe cansada que, sim, alimenta seu filho

Por favor, quando o bebê chorar, não diga que ele está com fome. É isso o que nós, pobres e exaustas mães, mais ouvimos. E, geralmente, depois de uma noite em claro. Modéstia à parte, acho que me tornei uma boa mãe. Em primeiro lugar, porque li toda a literatura possível sobre este assunto tão, digamos, peculiar. Em segundo, porque minha própria mãe, como sempre, me deixou completamente sozinha nesta aventura, para que eu me virasse. Às vezes, isso funciona. (Mas não compartilho esta técnica terrorista.) Bem, o fato é que o melhor aprendizado é a observação. Antes da ação. Amigas e amigos, um bebê tem horários. Isso inclui mamar. Se ele chora antes do seu horário de mamar, pode ser de fome, sim. Mas é preciso observar primeiro se há outra coisa o incomodando. Tentar entender a sua real necessidade, antes de partir para a medida mais comum - e errada: fazer a criança se calar com o leitinho. Quem faz isso - ou quem sugere isso - na realidade só quer se sentir melhor com o fim do choro do bebê. E não ajudá-lo de fato. Por favor, quando o bebê chorar, não digam que é de fome.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O amor não estava em Veneza

Ela ainda se lembrava da viagem à Europa. O olhar perdido na janela do trem. O choro silencioso. Depois da dúvida, a ida à Veneza. Sozinha. Ela foi sem saber o destino, sem a certeza de voltar. Mas voltou. Não encontrou por lá o remédio para o coração partido. Menos ainda um novo amor. Mesmo assim, achou tudo bonito. O ano passou. A dor curou. Então, ela entendeu que certas coisas requerem tempo. E viajou mais. Mesmo errando muitos caminhos. Um dia, o coração dela se acalmou. O amor não estava longe, mas bem ali na estrada do trabalho. Finalmente, ela não precisava ir mais. E viu que os papéis são desnecessários. Que as convenções são bobagens e não importa a ordem das coisas. Basta o amor. Inteiro. Imenso. De todo dia. Ela agora é feliz.