Pessoas frívolas
Busco em vão vestígios do que fomos
Palavras jogadas numa busca inútil
E me pergunto e se
Enquanto sigo eu e minhas idiossincrasias
Levando somente você pela mão
domingo, 22 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
A melhor viagem

A vida não teria graça se tudo fosse previsível. Se encontrássemos pelo caminho exatamente o que já sabíamos antes de nos aventurar. Se a surpresa assusta e faz mudar os rumos, também nos mostra que é preciso tirar da mala o desnecessário. E levar apenas o essencial. Aquilo que nos nutre, faz rir, chorar e agradecer. Simplesmente por estar vivo. Por amar sem medidas. A melhor viagem é aquela que nos encoraja a ir sempre mais longe, aconteça o que acontecer.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Sete dias
A UTI neonatal
Talvez exista um único lugar no mundo onde as mulheres são apenas o que têm de melhor. Desprovidas de vaidades, solidárias e sem aquela estúpida competição que acomete o sexo. Mulheres na sua plenitude de coragem e doação. Leoas que não se atracam, mas se unem e se fortalecem. As mulheres só são assim na UTI neonatal.
Eu
Aprendi a cantar. Baixinho. Tenho olheiras profundas, ando despenteada do quinto para o terceiro, o primeiro, o quinto, o terceiro andar. Tenho que beber água, muita água. Não atendo o telefone. Tento respeitar o tempo. Você veio com tanta pressa pedindo calma. As horas parecem dias. Minha urgência quase enlouquece, mas visito o céu com seu ensaio de sorriso num mínimo segundo.
Você
Sim, um anjo. Deus deve existir mesmo.
Talvez exista um único lugar no mundo onde as mulheres são apenas o que têm de melhor. Desprovidas de vaidades, solidárias e sem aquela estúpida competição que acomete o sexo. Mulheres na sua plenitude de coragem e doação. Leoas que não se atracam, mas se unem e se fortalecem. As mulheres só são assim na UTI neonatal.
Eu
Aprendi a cantar. Baixinho. Tenho olheiras profundas, ando despenteada do quinto para o terceiro, o primeiro, o quinto, o terceiro andar. Tenho que beber água, muita água. Não atendo o telefone. Tento respeitar o tempo. Você veio com tanta pressa pedindo calma. As horas parecem dias. Minha urgência quase enlouquece, mas visito o céu com seu ensaio de sorriso num mínimo segundo.
Você
Sim, um anjo. Deus deve existir mesmo.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Elegância
Para que o meu pequeno seja um homem elegante.
"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E, quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. E nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber que você teve que se arrebentar para o fazer. É elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição. Sobrenome, joias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não-arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens. Abrir a porta para alguém é muito elegante. Dar o lugar para alguém sentar é muito elegante. Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma. Oferecer ajuda é muito elegante. Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la."
Toulouse Lautrec
"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E, quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. E nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber que você teve que se arrebentar para o fazer. É elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição. Sobrenome, joias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não-arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens. Abrir a porta para alguém é muito elegante. Dar o lugar para alguém sentar é muito elegante. Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma. Oferecer ajuda é muito elegante. Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la."
Toulouse Lautrec
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
A maneira de olhar
Tomara que um dia você consiga enxergar além das aparências. E não se enganar pelo que parece óbvio aos outros. Perceber, na sutileza de uma roupa bonita e um sapato novo, uma ferida oculta. Ou um corpo desalmado. Que o frio da burocracia e a urgência dos protocolos não te impeçam de perceber a verdade. Ela pode estar num discreto movimento. A pressa, às vezes, é só proteção. A indiferença também. Onde parece não existir amor algum, talvez haja amor demais. E uma incrível capacidade de não querer demonstrá-lo. Que seus olhos sejam generosos. Que saibam perdoar. Por onde você andar, que enxergue beleza. Sempre há.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Mais (ou menos)
O caminhão estacionou. Inconfundível. Outra mudança. A geladeira se foi. O fogão ficou. Já devolvi a mala da culpa. No novo vocabulário ortográfico da língua portuguesa a saudade não sofreu alteração. O banheiro não é só meu. Daqui a pouco, tem você. A noite continua silenciosa. E durmo. O espaço apertou no guarda-roupa. Na barriga. Não posso comer muito. Não cabe. Estamos sem sofá. A LCD é nossa. Vamos precisar da Net. Muito. Seu quarto vai ser azul. O mundo é desta cor. E gira, gira, não para (o acento também se mandou). Melhor. Li que o medo paralisa. Que o homem estagnado está em guerra consigo mesmo. Achei bonito. Você também gira. Aproveite. Daqui a pouco, não terá espaço. É assim mesmo. A mamãe chegou. A moça da limpeza não está entendendo. Os livros vão ficar no maleiro. Por enquanto. Brigaram com as louças da cozinha. Perderam. Deus está brincando. Ri da nossa mudança. Ainda bem que você é anjo.
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