sábado, 14 de fevereiro de 2009
Amigos
Que figuras são essas, os amigos, que chegam de qualquer jeito e, sem que a gente perceba, ficam para o resto da vida. Que atrevidos são esses, os amigos, que ousam nos falar aquilo que a gente menos quer ouvir, apenas o necessário. Que olhos são esses, dos amigos, onde nossos olhos encontram morada e as respostas mais óbvias que não enxergamos. Impossível é despedir de um amigo, impossível. Amigos de verdade só falam tchau e vão dormir certos de que seus sonhos se encontram numa próxima esquina.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
As asas e o mar
Peguei emprestado aquele par de asas
Inocente, achei que podia voar
Como adolescente, queria fugir de casa
Quem sabe não voltar e jogar
Tudo que não queria do céu para o mar
Enganei-me quando pensei que mergulhava
Aquele sal não era do mar
Era apenas eu que chorava
Inocente, achei que podia voar
Como adolescente, queria fugir de casa
Quem sabe não voltar e jogar
Tudo que não queria do céu para o mar
Enganei-me quando pensei que mergulhava
Aquele sal não era do mar
Era apenas eu que chorava
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
De novo (arquivo de viagem ao Rio)

Nada como começar um outro ano. Abrir os braços para novas ideias (agora sem acento), dar espaço para que outros amigos façam parte da nossa vida, viajar em sonhos diferentes. Redescobrir o gosto e o sabor da festa, como canta a Elis. Nada como recomeçar - mesmo que nada de extraordinário tenha acontecido de uma noite para outra. Ainda assim, que bom um ano novo. (Foto da Paty, que, depois do reveillon 2oo9, achou que o Cristo tinha mudado de lugar).
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Sonhos de Natal
Lembrei-me de quando éramos crianças e a noite de Natal era a mais alegre do ano. Íamos dormir embaladas pelas canções natalinas do vinil que o papai colocava. Ele dizia pra gente não se preocupar, pois o Papai Noel desligaria o som.
Melhor que a doçura da música, o aconchego do nosso pai e até a expectativa dos brinquedos, era a certeza de que nosso sonho se realizaria naquela noite. Porque, não havia dúvida, o Papai Noel passaria. E este era o melhor presente: acreditar.
Melhor que a doçura da música, o aconchego do nosso pai e até a expectativa dos brinquedos, era a certeza de que nosso sonho se realizaria naquela noite. Porque, não havia dúvida, o Papai Noel passaria. E este era o melhor presente: acreditar.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Dilemas cotidianos
Estava difícil enfrentar a depiladora. Não pela tortura da cera, mas por tudo que a mulher representava.
Há alguns anos, uma dica milagrosa da depiladora mudou completamente a vida dela. Algumas palavras sem pretensão foram a chave para a felicidade. Literalmente. Ela estava cansada de procurar uma casa definitiva para morar, quando a depiladora disse entre um puxão e outro: liga pra fulana que é minha cliente. A fulana indicou beltrana, que vendeu o melhor apartamento da cidade pra ela. Finalmente, havia encontrado um ninho onde pudesse repousar; onde pudesse aquecer cada detalhe com ternura, esperando que ali brotassem frutos.
E assim foi. Todo mês, ela ouvia da depiladora: e o ap? Tá lindo, sempre dizia.
Agora, ela não tinha coragem de enfrentar a pergunta fatal da depiladora. A resposta doeria mais que qualquer cera que arrancasse de uma só vez todos os pêlos do corpo; mais que se abrissem de uma só vez todos os poros. Como falar que o ap não existia mais? Como explicar que o ninho meio que despencou de uma árvore e espatifou no chão? Não, a resposta doeria muito. E ela não estava preparada para aquela sabatina.
Passou o primeiro mês, o segundo, e sempre uma desculpa para fugir da sessão. E mesmo que não houvesse espaço para a depiladora fazer a maldita pergunta, ela não parava de retumbar no dia-a-dia: e o ap? E o ap? E o ap?
O ap continuava lá. Sem ela. E a depiladora também continuava lá. Sem a cliente. Ela já tinha perdido demais para ter que enfrentar aquele encontro doloroso. Mesmo sem saber o rumo, ela procurou outro salão. E, como numa despedida à francesa, mudou de depiladora sem dizer adeus.
Há alguns anos, uma dica milagrosa da depiladora mudou completamente a vida dela. Algumas palavras sem pretensão foram a chave para a felicidade. Literalmente. Ela estava cansada de procurar uma casa definitiva para morar, quando a depiladora disse entre um puxão e outro: liga pra fulana que é minha cliente. A fulana indicou beltrana, que vendeu o melhor apartamento da cidade pra ela. Finalmente, havia encontrado um ninho onde pudesse repousar; onde pudesse aquecer cada detalhe com ternura, esperando que ali brotassem frutos.
E assim foi. Todo mês, ela ouvia da depiladora: e o ap? Tá lindo, sempre dizia.
Agora, ela não tinha coragem de enfrentar a pergunta fatal da depiladora. A resposta doeria mais que qualquer cera que arrancasse de uma só vez todos os pêlos do corpo; mais que se abrissem de uma só vez todos os poros. Como falar que o ap não existia mais? Como explicar que o ninho meio que despencou de uma árvore e espatifou no chão? Não, a resposta doeria muito. E ela não estava preparada para aquela sabatina.
Passou o primeiro mês, o segundo, e sempre uma desculpa para fugir da sessão. E mesmo que não houvesse espaço para a depiladora fazer a maldita pergunta, ela não parava de retumbar no dia-a-dia: e o ap? E o ap? E o ap?
O ap continuava lá. Sem ela. E a depiladora também continuava lá. Sem a cliente. Ela já tinha perdido demais para ter que enfrentar aquele encontro doloroso. Mesmo sem saber o rumo, ela procurou outro salão. E, como numa despedida à francesa, mudou de depiladora sem dizer adeus.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
30, 20 ou 40?
Engraçado como depois de 30 anos a gente já começa a se achar velha. Bom, pelo menos para a turma de 20, já somos anciãs. Depois de dez anos de mercado, então, já com alguns calos e muitas feridas, é preciso tomar cuidado com as palavras e os conselhos para os colegas que estão começando. Não vale a pena contaminar a turma jovem com a realidade dura de quem já engrossou o couro. Melhor deixar os novos talentos acreditarem que a profissão é um mar de rosas. E que eles nadarão neste oceano límpido. Pra que dizer que tucanaram a exploração de mão-de-obra e que agora ela se chama desafio? Bobagem.
Melhor esquecer as perdas e pensar que ainda estamos na idade de ganhar. Seria bom esquecer também que as rugas aumentam a cada dia, os cabelos brancos se multiplicam na velocidade da luz e, pior de tudo, os casamentos não duram até que a morte os separe. A vida mesmo se encarrega disso.
Há poucos dias, me disseram que os 30 anos correspondem à adolescência da maturidade. Queremos ir a um lugar que não sabemos onde, com urgência; queremos todo o sucesso do mundo, mas já estamos com alguma preguiça para correr atrás de tanta informação. Melhor investir numa nova especialização, viajar para a África, casar de novo, fazer uma produção independente, uma depilação a laser ou simplesmente não fazer nada? São tantas possibilidades e parece fácil acessá-las como uma busca no Google. Quem sabe aos 40 acabe essa ânsia? Bom, vou fazer como as minhas amigas de 20: fechar os olhos, pensar que estou flutuando rumo ao céu e aguardar a próxima onda quente e suave.
Melhor esquecer as perdas e pensar que ainda estamos na idade de ganhar. Seria bom esquecer também que as rugas aumentam a cada dia, os cabelos brancos se multiplicam na velocidade da luz e, pior de tudo, os casamentos não duram até que a morte os separe. A vida mesmo se encarrega disso.
Há poucos dias, me disseram que os 30 anos correspondem à adolescência da maturidade. Queremos ir a um lugar que não sabemos onde, com urgência; queremos todo o sucesso do mundo, mas já estamos com alguma preguiça para correr atrás de tanta informação. Melhor investir numa nova especialização, viajar para a África, casar de novo, fazer uma produção independente, uma depilação a laser ou simplesmente não fazer nada? São tantas possibilidades e parece fácil acessá-las como uma busca no Google. Quem sabe aos 40 acabe essa ânsia? Bom, vou fazer como as minhas amigas de 20: fechar os olhos, pensar que estou flutuando rumo ao céu e aguardar a próxima onda quente e suave.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Inquietude
E foi assim outra vez
Que aquela dor voltou no meio da noite
Dilacerando os retratos da memória
E gritando em meus sentidos
Que dos sonhos não vividos
Restou apenas a mortalha
Outra vez bate forte
Aquela vontade de ir desesperadamente
Te deixar e ao mesmo tempo te buscar
Bem longe de tudo, longe de mim
Que inveja da arrumadeira
Que me disse humildemente
Moça, tenho que saber o meu lugar
Que lugar é esse que ela sabe onde
Quem sabe lá posso aquietar
O lago agitado da minha alma
Que aquela dor voltou no meio da noite
Dilacerando os retratos da memória
E gritando em meus sentidos
Que dos sonhos não vividos
Restou apenas a mortalha
Outra vez bate forte
Aquela vontade de ir desesperadamente
Te deixar e ao mesmo tempo te buscar
Bem longe de tudo, longe de mim
Que inveja da arrumadeira
Que me disse humildemente
Moça, tenho que saber o meu lugar
Que lugar é esse que ela sabe onde
Quem sabe lá posso aquietar
O lago agitado da minha alma
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