Engraçado como depois de 30 anos a gente já começa a se achar velha. Bom, pelo menos para a turma de 20, já somos anciãs. Depois de dez anos de mercado, então, já com alguns calos e muitas feridas, é preciso tomar cuidado com as palavras e os conselhos para os colegas que estão começando. Não vale a pena contaminar a turma jovem com a realidade dura de quem já engrossou o couro. Melhor deixar os novos talentos acreditarem que a profissão é um mar de rosas. E que eles nadarão neste oceano límpido. Pra que dizer que tucanaram a exploração de mão-de-obra e que agora ela se chama desafio? Bobagem.
Melhor esquecer as perdas e pensar que ainda estamos na idade de ganhar. Seria bom esquecer também que as rugas aumentam a cada dia, os cabelos brancos se multiplicam na velocidade da luz e, pior de tudo, os casamentos não duram até que a morte os separe. A vida mesmo se encarrega disso.
Há poucos dias, me disseram que os 30 anos correspondem à adolescência da maturidade. Queremos ir a um lugar que não sabemos onde, com urgência; queremos todo o sucesso do mundo, mas já estamos com alguma preguiça para correr atrás de tanta informação. Melhor investir numa nova especialização, viajar para a África, casar de novo, fazer uma produção independente, uma depilação a laser ou simplesmente não fazer nada? São tantas possibilidades e parece fácil acessá-las como uma busca no Google. Quem sabe aos 40 acabe essa ânsia? Bom, vou fazer como as minhas amigas de 20: fechar os olhos, pensar que estou flutuando rumo ao céu e aguardar a próxima onda quente e suave.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Inquietude
E foi assim outra vez
Que aquela dor voltou no meio da noite
Dilacerando os retratos da memória
E gritando em meus sentidos
Que dos sonhos não vividos
Restou apenas a mortalha
Outra vez bate forte
Aquela vontade de ir desesperadamente
Te deixar e ao mesmo tempo te buscar
Bem longe de tudo, longe de mim
Que inveja da arrumadeira
Que me disse humildemente
Moça, tenho que saber o meu lugar
Que lugar é esse que ela sabe onde
Quem sabe lá posso aquietar
O lago agitado da minha alma
Que aquela dor voltou no meio da noite
Dilacerando os retratos da memória
E gritando em meus sentidos
Que dos sonhos não vividos
Restou apenas a mortalha
Outra vez bate forte
Aquela vontade de ir desesperadamente
Te deixar e ao mesmo tempo te buscar
Bem longe de tudo, longe de mim
Que inveja da arrumadeira
Que me disse humildemente
Moça, tenho que saber o meu lugar
Que lugar é esse que ela sabe onde
Quem sabe lá posso aquietar
O lago agitado da minha alma
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Fora de prumo (arquivo de viagem a Itacaré/BA)
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Página em branco
Escrevia a minha história
Pensando ser só uma, quem diria
São muitas e cada um escreve a sua
Na mesma página em branco
Busco cores, sons e palavras novas
No fundo, todos temos a mesma essência
Para preencher a página em branco
Emoldurada pelo horizonte infinito
Enquanto escrevo a minha história
Você escreve a sua, amor
Sem certo, nem errado
Só tentando fazer o melhor
E sem jogar fora a chance
De tornar bonita, eterna
E azul como o Mar Vermelho
A página branca da vida
Pensando ser só uma, quem diria
São muitas e cada um escreve a sua
Na mesma página em branco
Busco cores, sons e palavras novas
No fundo, todos temos a mesma essência
Para preencher a página em branco
Emoldurada pelo horizonte infinito
Enquanto escrevo a minha história
Você escreve a sua, amor
Sem certo, nem errado
Só tentando fazer o melhor
E sem jogar fora a chance
De tornar bonita, eterna
E azul como o Mar Vermelho
A página branca da vida
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Um dia
Um dia a gente aprende que a melhor risada é aquela menos previsível, por nada ou muito pouco. E que a melhor viagem pode ser feita com a cabeça no travesseiro e o canto das cigarras. Um dia a gente aprende que não é preciso ir tão longe, nem ganhar muito dinheiro, nem ser a melhor. Um dia a gente aprende que a vida que procuramos está dentro de nós e que o coração bate fazendo barulho para nos lembrar disso. A todo instante. Um dia a gente aprende que a melhor idade é a que temos. E que as pessoas mais incríveis ficam a poucos quarteirões ou moram na mesma casa. Um dia. Basta um dia pra gente ser feliz.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
O homem que não tinha saudade
As filhas queriam ser como pai, que não tinha saudade de nada. Passado é passado. Também não sonhava com o futuro. Como ele mesmo gostava de dizer, o presente é o melhor presente.
As filhas entendiam. E sorriam. Mas não conseguiam libertar as emoções trancafiadas no coração, já vividas e quase mortas. Também não conseguiam não pensar no futuro. Melhor acalentar um sonho qualquer e vencer o dia com uma esperança.
As filhas sentiam saudade de tudo. Até do que ainda não tinham vivido. Mas se lembravam, todos os dias, dos olhos tranqüilos do pai. Dos cabelos brancos de sabedoria. E de como ele tinha razão. Na sua simplicidade conservadora, o pai sabia o que dizia. O que passou passou. E nem sabemos se o amanhã virá.
Carpe diem. Era só isso o que ele ensinava.
As filhas entendiam. E sorriam. Mas não conseguiam libertar as emoções trancafiadas no coração, já vividas e quase mortas. Também não conseguiam não pensar no futuro. Melhor acalentar um sonho qualquer e vencer o dia com uma esperança.
As filhas sentiam saudade de tudo. Até do que ainda não tinham vivido. Mas se lembravam, todos os dias, dos olhos tranqüilos do pai. Dos cabelos brancos de sabedoria. E de como ele tinha razão. Na sua simplicidade conservadora, o pai sabia o que dizia. O que passou passou. E nem sabemos se o amanhã virá.
Carpe diem. Era só isso o que ele ensinava.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Um segundo
Um segundo e tudo muda
Um segundo e acabou o ar
Acabou a vida
Um segundo e a felicidade
se vai perdida
para sempre
Um segundo e perdemos tudo
O que era certo
O que era vida
Um segundo e acabou o ar
Acabou a vida
Um segundo e a felicidade
se vai perdida
para sempre
Um segundo e perdemos tudo
O que era certo
O que era vida
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