segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Fora de prumo (arquivo de viagem a Itacaré/BA)

De repente a vida saiu do prumo
Então fiquei sem rumo
Mas onde mesmo está escrito
Que o imprevisível não pode ser bonito?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Página em branco

Escrevia a minha história
Pensando ser só uma, quem diria
São muitas e cada um escreve a sua
Na mesma página em branco

Busco cores, sons e palavras novas
No fundo, todos temos a mesma essência
Para preencher a página em branco
Emoldurada pelo horizonte infinito

Enquanto escrevo a minha história
Você escreve a sua, amor
Sem certo, nem errado
Só tentando fazer o melhor

E sem jogar fora a chance
De tornar bonita, eterna
E azul como o Mar Vermelho
A página branca da vida

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um dia

Um dia a gente aprende que a melhor risada é aquela menos previsível, por nada ou muito pouco. E que a melhor viagem pode ser feita com a cabeça no travesseiro e o canto das cigarras. Um dia a gente aprende que não é preciso ir tão longe, nem ganhar muito dinheiro, nem ser a melhor. Um dia a gente aprende que a vida que procuramos está dentro de nós e que o coração bate fazendo barulho para nos lembrar disso. A todo instante. Um dia a gente aprende que a melhor idade é a que temos. E que as pessoas mais incríveis ficam a poucos quarteirões ou moram na mesma casa. Um dia. Basta um dia pra gente ser feliz.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O homem que não tinha saudade

As filhas queriam ser como pai, que não tinha saudade de nada. Passado é passado. Também não sonhava com o futuro. Como ele mesmo gostava de dizer, o presente é o melhor presente.
As filhas entendiam. E sorriam. Mas não conseguiam libertar as emoções trancafiadas no coração, já vividas e quase mortas. Também não conseguiam não pensar no futuro. Melhor acalentar um sonho qualquer e vencer o dia com uma esperança.
As filhas sentiam saudade de tudo. Até do que ainda não tinham vivido. Mas se lembravam, todos os dias, dos olhos tranqüilos do pai. Dos cabelos brancos de sabedoria. E de como ele tinha razão. Na sua simplicidade conservadora, o pai sabia o que dizia. O que passou passou. E nem sabemos se o amanhã virá.
Carpe diem. Era só isso o que ele ensinava.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Um segundo

Um segundo e tudo muda
Um segundo e acabou o ar
Acabou a vida
Um segundo e a felicidade
se vai perdida
para sempre
Um segundo e perdemos tudo
O que era certo
O que era vida

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

No escuro


O corpo dança a música da contemporaneidade: violência, individualismo, sexo, estranhamento.
Homens e mulheres se encontram para digladiar numa arena de ódio. E colocam todas as suas frustrações no embate.
Corpo a corpo.
Essa é a dura realidade. Não há tempo para chorumelas e cantilenas. Não há espaço nem paciência para dramas.
Mesmo assim, no escuro, a vida tem poesia.
(Foto do Grupo Corpo, que reapresenta seu espetáculo Breu).

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os olhos verdes do meu pai

Meu olhar repousou no seu
Aconchegou-se
Nos seus braços deixei minha dor
Como se fosse sua
De mãos dadas comigo
Você caminhou
E me ensinou a dar novos passos
Como se fosse criança
No seu sorriso encontrei o meu
Que nunca se apagou
Finalmente, amigo
Vamos que a música já começou
Sim, a vida é boa
E nos abre a porta cantando